Tem um lojista agora mesmo achando que a Reforma Tributária não é problema dele. "Eu sou do Simples Nacional, pago tudo numa guia só, isso aí é coisa de empresa grande." É exatamente esse o problema — porque o Simples Nacional na Reforma Tributária ganhou uma decisão nova, com prazo, e ela mexe direto no seu preço.

Tem uma conta que ninguém te mostrou: a partir de 2027, o mercado da esquina pode vender o arroz, o feijão e o leite mais barato que o seu — não porque comprou melhor, mas porque está num regime que zera o imposto da cesta básica e o seu, não.

A Reforma preservou o Simples Nacional, sim. Mas colocou na sua mesa uma escolha com prazo: setembro de 2026. E não decidir também é uma decisão — só que da pior forma. Vamos destrinchar isso sem juridiquês.

O que muda (e o que não muda) para o Simples Nacional

Primeiro, o alívio: o Simples Nacional continua existindo. Você continua recolhendo numa guia única, o DAS, do mesmo jeito que faz hoje. O split payment — aquele recolhimento automático do imposto na hora do pagamento — não se aplica a quem fica no Simples tradicional.

O que muda não é a sua rotina de hoje. É uma escolha nova que a Lei Complementar 214/2025 colocou para o optante do Simples: continuar do jeito tradicional ou passar a apurar os novos impostos — IBS e CBS — "por fora" do DAS, no chamado regime híbrido.

Parece detalhe técnico. Não é. Essa escolha define se o seu preço vai ficar competitivo ou não a partir de 2027. E o ponto mais sensível disso aparece bem na sua prateleira.

A armadilha da cesta básica: por que o seu mercado vai vender mais caro

Cliente conferindo preço de compras no caixa do mercado, ilustrando a diferença de preço da cesta básica entre regimes tributários
O cliente da cesta básica não lê legislação. Ele lê a etiqueta — e volta onde está mais barato.

Aqui está o nó que o usuário do Simples precisa entender antes de qualquer outra coisa.

Na Reforma Tributária, os produtos da Cesta Básica Nacional — arroz, feijão, leite, pão, café, entre outros — têm alíquota zero de IBS e CBS. Quem está no regime regular vende esses itens sem o imposto novo embutido. O preço na gôndola cai.

Só que o Simples Nacional tradicional funciona por dentro de uma alíquota única. Você paga um percentual sobre o faturamento que embute imposto sobre tudo — inclusive sobre o arroz e o feijão que, no outro regime, estariam zerados. Ou seja: o mercado do Simples tradicional continua carregando imposto na cesta básica enquanto o concorrente do regime regular (ou do Simples híbrido) repassa esse benefício e baixa o preço.

Faça a cena: dois supermercados na mesma avenida. O do regime regular anuncia o pacote de arroz a um preço. O do Simples tradicional, comprando do mesmo distribuidor, não consegue chegar nesse preço — porque dentro do DAS dele tem imposto que no concorrente foi zerado. O cliente que vai todo mês atrás de cesta básica não lê legislação. Ele lê a etiqueta. E volta onde está mais barato.

Para supermercado, mercearia e qualquer negócio que vive de itens de cesta básica, isso não é nuance contábil. É perda de cliente na boca do caixa.

O outro lado: você pode virar o fornecedor "caro" para clientes PJ

A cesta básica é o caso mais visível, mas existe um segundo. Se você vende para outras empresas — atacado, lojista que revende, prestador que fornece para indústria — entra a questão do crédito.

No novo modelo, a empresa que compra de você aproveita como crédito o IBS e a CBS que vieram embutidos na sua venda. Quem fica no Simples tradicional transfere crédito reduzido. Resultado: para o seu cliente PJ, comprar de você sai mais caro no fim das contas do que comprar de um fornecedor que dá crédito cheio.

Uma confecção que vende para lojistas, por exemplo, pode começar a ouvir "o seu concorrente me dá mais crédito". Em cadeia produtiva onde o imposto pesa no custo final, isso decide pedido. É o mesmo mecanismo que já tratamos no artigo sobre como o crédito agora depende de quem paga — agora ele bate na porta de quem é do Simples.

Regime híbrido: a saída — e o preço dela

A LC 214/2025 deu uma porta de saída: o regime híbrido. Você continua no Simples para a maior parte da apuração, mas recolhe IBS e CBS "por fora", como faz o regime regular. Com isso, você gera crédito cheio para o cliente PJ e acessa a alíquota zero da cesta básica — destrava exatamente os dois problemas de cima.

Não existe almoço grátis, claro. Quem opta pelo híbrido fica sujeito ao split payment a partir de 2027: parte do imposto é separada automaticamente na hora do recebimento. E há antecipação de recolhimento, o que pressiona o fluxo de caixa de quem está acostumado a pagar tudo só no DAS do mês seguinte.

Ou seja: o híbrido resolve a competitividade, mas exige caixa mais organizado e previsibilidade. Não é melhor para todo mundo — é melhor para alguns. A pergunta certa é: para qual grupo você pertence?

Tradicional x Híbrido: como decidir o seu caso

A linha que separa é simples: para quem você vende e o que você vende.

Situação do seu negócioTende a ficar no TradicionalTende a avaliar o Híbrido
Vende para consumidor final (B2C)✅ Crédito não importa para o cliente
Vende muito para empresas (B2B)✅ Cliente PJ exige crédito cheio
Trabalha forte com cesta básica✅ Destrava a alíquota zero
Margem alta, poucos insumos tributados✅ Simplicidade compensa
Tem caixa organizado e previsível✅ Aguenta o split e a antecipação
Caixa apertado, sem folga✅ Evita a antecipação do híbrido

Quem vive de venda no balcão para o consumidor final, com pouca cesta básica e margem boa, normalmente fica no tradicional — a simplicidade vale mais que o crédito que o cliente nem usa. Quem é supermercado, atacado, ou fornece para empresa, precisa simular os dois cenários com número na mão antes de bater o martelo. Para entender a base de tudo isso no varejo, vale revisar também o que a Reforma muda no seu PDV.

O prazo é setembro de 2026 — não decidir é decidir

A opção pelo regime híbrido tem prazo: setembro de 2026. Quem não se manifesta segue no tradicional por padrão — e descobre o efeito no preço só em 2027, quando o concorrente já estiver vendendo a cesta básica mais barato e o cliente PJ já tiver migrado.

Decidir no susto é o pior dos mundos. A decisão certa exige simular: quanto de crédito você passaria a gerar, qual o impacto real no seu DAS, como ficaria o caixa com o split payment. Isso é conta de cenário, não chute. E é aí que sai a planilha e entra o sistema. Se o seu negócio também presta serviço, o tema conversa com a nota fiscal única do Simples, que já está em curso.

Simule tradicional x híbrido antes do prazo

O sistema da Efisim coloca os dois cenários lado a lado: crédito gerado, impacto no DAS e efeito do split payment no seu caixa. Fale com um especialista e decida com número na tela.

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Perguntas frequentes

Vou perder cliente por ficar no Simples Nacional tradicional?

Pode perder dois tipos. O cliente final que compra cesta básica, porque o concorrente do regime regular vende mais barato com a alíquota zero. E o cliente PJ, porque você transfere crédito reduzido de IBS e CBS e fica mais caro que um fornecedor que dá crédito cheio.

O que é o regime híbrido do Simples Nacional?

É a opção da LC 214/2025 de continuar no Simples, mas recolher IBS e CBS por fora do DAS. Você passa a gerar crédito cheio e acessa benefícios como a alíquota zero da cesta básica — em troca de split payment a partir de 2027 e antecipação de imposto.

Vou pagar mais imposto se entrar no regime híbrido?

Não necessariamente. A carga pode até ser parecida; o que muda é o momento do pagamento (antecipação via split) e o ganho de competitividade por gerar crédito e zerar a cesta básica. Por isso a decisão precisa de simulação, não de regra geral.

Vendo só para o consumidor final. Muda alguma coisa?

Se você não trabalha com cesta básica e vende pouco para empresas, provavelmente o tradicional continua sendo o melhor caminho — o crédito não pesa para o seu cliente e a simplicidade compensa. Ainda assim, vale rodar o cenário antes de decidir.

Qual é o prazo para decidir?

Setembro de 2026 para optar pelo regime híbrido. Quem não opta permanece no tradicional. Os efeitos práticos aparecem em 2027.

Não deixe o preço decidir por você

A Reforma Tributária não acabou com o Simples Nacional — mas transformou uma escolha "de contador" numa decisão de competitividade e caixa que é do dono do negócio. Ficar no tradicional pode significar vender a cesta básica mais cara que o vizinho e perder o cliente PJ. Ir para o híbrido resolve isso, mas cobra fôlego de caixa. O erro não é escolher um ou outro — é não simular e deixar setembro de 2026 passar.

O sistema da Efisim coloca os dois cenários lado a lado: quanto de crédito de IBS e CBS você passaria a gerar, o impacto no seu DAS, e como o split payment afetaria o seu fluxo de caixa — com o compliance fiscal atualizado automaticamente conforme a legislação evolui. Em vez de descobrir o problema na etiqueta do concorrente, você decide com número na tela. Fale com o time da Efisim e simule a sua situação antes do prazo.

Decida com número, não no susto

Simulação de tradicional x híbrido, crédito de IBS/CBS e impacto no caixa — tudo no mesmo sistema, com o suporte humanizado da Efisim do seu lado.

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